quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Derpy Rock

Tal como certas correntes da música a meio do século XX atravessaram períodos de extrema erudição, afastando-se das suas origens populares, também as artes digitais atravessam uma era de experimentação. Muitos dirão que a criação de nichos e ramificações são algo inevitável na maturação de uma forma de arte, e é por isso interessante estudar a trajectória desta em particular, ao parecer querer voltar agora às suas origens mais básicas.

A simplicidade da obra hoje em analise é reminiscente de grandes colossos do passado da categoria Advice Animals como o Philosoraptor (2008) e Socially Awkward Penguin (2009) e talvez por isso não seja surpreendente o extremo poder de viralidade que parece já apresentar. Voltando aos bons velhos tempos de uma image macro de fundo bicolor com texto impact em cima e em baixo, este meme remete-nos para tempos mais simples da nossa infância, quando o YouTube era a principal plataforma de entretenimento e o Google era uma empresa tecnológica.

Ao percorrer para uma galeria repleta de variações desta obra colectiva, um leitor menos atento poderia desprezá-la como pouco interessante, infantil ou até fútil, notando a má gramática em todos os painéis ou a falta de outras componentes audiovisuais como vídeo ou música, mas o que é certo é que o facto de ser ter despojado destes "artifícios" faz com que a facilidade de propagação desta obra seja quase ímpar na internet das coisas. Muitos poderão teimar a catalogar estas macros simples como "memes de frigorífico", mas o meio não deve ser o factor maior numa analise artística que se quer tanto imparcial quanto possível.



Ainda que consideremos essa fácil propagação o ponto forte, este acaba por ser, aos olhos deste crítico, o maior ponto fraco do meme: a facilidade com que se propaga dá origem a uma constante repetição temática que não resulta a favor da obra, na medida em que o material humorístico disponível é extremamente reduzido e parece ter já atingido o limite. Apesar de ser fácil compreender "a cena" do mesmo, possivelmente acabará por aborrecer o memester mais devoto.

★★☆☆☆

Santiago Maciel, in PopCult.com, 24 Jan. 2037

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

socorro

olho o nada:

sem fundo, inson̳̭̖̫d̒̉á̆͌ͯ̑͂́v̌ͫ̇e̿̈́̾̔̐l


o͖̥̳ͧl͖͖̱̆h̫̤̪a͇̬͉̯ͨ̋̍͗̓ ̬̰̼̹̐ͯͫ̈́d͎̈́͋̉͑̂̾̀é̤̰͉͋ͤ͋̚ ̏̋ͤ̊̆  v̰ǒ͍̞̱͖̬̭ͣ̋ͨ̈͋͐l̼̆t̩͋̓́̈́̏a͇̬͉ͨ̋̍͗̓

Aicú

Haikus escritos
em línguas ocidentais
não funcionam

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Haiku

Primeiro cinco,
Depois sete no meio
E cinco no fim

Ricardo Ferreira, 34 anos

Ricardo Ferreira, 34 anos, arquitecto de software, decidiu desistir. Era o terceiro dia seguido que o patrão lhe "pedia" para fazer horas extra. Porque é que ninguém o respeitava como ao Soares, o colega do cubículo ao lado? O Soares parecia que se estava sempre a cagar para tudo e todos. Era como os nihilistas do Big Lebowski, quanto mais ele se estava a cagar mais intimidante era e parecia que as pessoas respeitavam isso. Então o Ferreira desistiu. A partir de agora estava-se a cagar para tudo.

Como várias vezes ao longo da sua vida, esta decisão teve um péssimo timing. Ricardo Ferreira, 34 anos, arquitecto de software, decidiu começar a cagar-se para tudo enquanto estava no urinol, local onde geralmente tinha os pensamentos mais profundos. Largou a pila, largou o fecho das calças, e regou chichi por todo o lado.

Nesse dia, ninguém podia estar ao lado do Ricardo. Era um cheiro a urina que não se podia. Não voltou a fazer horas extra. No dia seguinte tinham-lhe pedido que pegasse nas suas tralhas e saísse.

Ricardo Ferreira, 34 anos, homem livre.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Politricks

José estava furioso.
Furioso ao ponto de esquecer do copo de balão com whisky, acabado de encher, intocado em cima da mesa. Desapertou o último botão da camisa, e atirou o blazer, sem se interessar para onde. Começou a andar dum lado para o outro.
Aquele merdas, daquele Juiz, topara-o. Não conseguia precisar quando, mas topara-o, sem sombra de dúvida. Logo quando, pela primeira vez nos últimos tempos, se sentia ao volante do próprio destino. Sentir-se antecipado, era voltar atrás, era perder tempo, era ser humilhado.
Sentiu-se enjaulado. Ao passar pelo copo de balão, atirou-o contra o bar. Sentia-se esgotado; deixou-se cair sentado no sofá, com um suspiro. Os olhos pousaram no tornozelo, ao invés de na pulseira electrónica, que ali devia estar.
Apostara a maioria das suas fichas (não a totalidade porque jogava há demasiados anos para saber que não se fazia all in numa só estratégia) na vitimização perante a comunicação social. E essa estratégia sofria o primeiro revés, porque a decisão do maldito juiz, em deixá-lo sem pulseira electrónica, impedia-o de estar preso. Logo, não podia continuar a inundar os jornais com "pedidos de liberdade para o coitadinho do preso político". 
Havia já uns anos, que os seus contactos no MP e na PJ o informaram de que os holofotes dos investigadores judiciais estavam a incidir com demasiada claridade nos seus parceiros de negócios, colaboradores e familiares (sendo que estes últimos eram um pouco dos outros dois também). As acusações que daí resultassem podiam ser graves, ao contrário das inofensivas investidas anteriores contra a sua pessoa, porque desta vez investigar-se-ia ao pormenor, juntando dados de inúmeros processos, aparentemente, esquecidos. Sem ele no topo da cadeia alimentar para abafar vozes dissonantes e repórteres intrometidos, com os partidos da oposição sedentos de sangue e com os maiores hipócritas justiceiros ao comando das operações, era uma questão de tempo até haver uma acusação forte o suficiente para o fazer suar. Nessa altura, José soube que tinha de fazer o que fizera a vida toda: preparar-se para ganhar.José fora, desde cedo, um prodígio no ofício de se preparar para ganhar, porque nunca perdia. Em criança, mesmo sem jogar bem futebol a sua equipa nunca perdia; era sempre o melhor aluno, mesmo sem tirar as melhores notas. Montava tudo para ganhar, logo ganhar era a consequência natural. 
Levantou-se para apanhar os cacos do copo, antes que o gato aparecesse e fosse beber o whisky da alcatifa. Mal soubera que ia voltar a casa, pediu a um amigo (o mesmo de sempre, claro) para lhe arranjar um gato novo. Adorava ter felinos em casa, porque era certo que eles iam fazer de conta que gostavam dele, e ele ia fazer de conta que gostava deles: o tipo de farsa em que se sentia confortável.
Assim que percebeu ser um alvo fácil em Portugal, deslocou-se para Paris, onde tirou a barriga de misérias da boémia que 6 anos de governação lhe tinham negado. Tivera a habilidade de manter os negócios a correr como até então, salvo algumas diferenças. A primeira, e a mais óbvia, era a distância, que só era problemática para o motorista, que fazia mais quilómetros e jantava mais vezes em estações de serviço. Manteve as mesmas rotinas e o olho aberto para novas oportunidades, porque se já estava debaixo de mira, mais valia apostar na previsibilidade do seu comportamento. A outra diferença foi ter passado a ser mais descarado em algumas das suas jogadas: porque lhe dava gozo deixar migalhinhas de pão para os merdosos do MP e da PJ pensarem que o estavam quase a apanhar e porque, perdido por cem, perdido por mil, ir ou não preso, podia fazer toda a diferença no seu caso.
Limpa a alcatifa, puxou dum cigarro, e foi fumá-lo para frente da varanda. Eram 03h30. Um carro descaracterizado da polícia observava-o do outro lado da estrada; um carro com os seus guardas-costas descansava um pouco mais atrás. Compôs os tomates nas calças de fato e continuou a pensar.
À medida que o tempo passara em Paris, e os telefonemas desesperados dos seus colaboradores se amontoavam no histórico de chamadas, José começava a dar como inevitável que teria um processo gigantesco contra si, ao qual não se renderia sem luta. Primeiro, teria de arrastar os sanguessugas para a luz, onde todos os pudessem ver, já que aquela gente apregoava a transparência à boca cheia. Voltaria a Portugal, cheio de pompa, e os velhacos deitar-lhe-iam a unha mal pudessem, para o humilhar. Mas não o fariam, porque ele os arrastaria, em simultâneo, para a lama. Como aconteceu, ficando tudo na mesma.
A prisão, mesmo que preventiva, era um ponto nevrálgico da estratégia que delineara meses antes, com os seus advogados, em Paris. Colar à investigação em curso os rótulos de revanchismo e perseguição política, era música para os ouvidos de José. Até acertaram os pormenores para a criação de movimentos cívicos, de norte a sul do país, urbanos e rurais, a exigir a sua libertação, aptos a fazer o máximo de barulho possível. Os advogados, propositadamente, dariam "tiros de pólvora seca" para o manter preso o máximo de tempo possível. E enquanto assim estivesse os incompetentes da oposição no poder afundar-se-iam nas intenções de voto das legislativas que aí vinham. Correndo como planeado, a oposição cairia de tal forma nas próximas eleições, que não se levantaria nos vinte anos seguintes; o seu partido mostrar-lhe-ia solidariedade, enquanto abafasse o processo, e ele, inevitavelmente, seria libertado, com a aura de um beato. Sem maiores considerações, ou oposições, seria o candidato natural e crónico a qualquer cargo de poder em Portugal, qual Putin, travestido de Mandela.
Mas o maldito Juiz percebera tudo. Começara por testá-lo ao sugerir a sua libertação, e colocação em prisão domiciliária com pulseira electrónica. José recusara, claro. Isso poria em causa todos os esforços que envidara e a chacota a que se expusera. Não entendera como a calamitosa Justiça portuguesa o podia querer libertar tão cedo, após anos a tentar enfiar-lhe o dente; nem pensar, não podia ser: continuaria preso. Eles precisavam dele atrás de grades para que não falasse, para não levar a todos os palanques do país a sua indignação perante a vergonha de prender, "injustamente", um ex-primeiro-ministro. Ninguém adivinhava que o juiz fosse preferir tê-lo em liberdade, sem pulseira electrónica, do que preso a estrebuchar como um animal feroz, com as suas cartas aos jornais, retórica vitimista, e as manifestações dos seus apoiantes à porta da cela. Fora um revés, e uma surpresa que ainda não encaixara. Como se não bastasse, o próprio partido andava a meter os pés pelas mãos na campanha para as eleições mais fáceis de ganhar de sempre! Tanto em Paris, como na prisão desdobrara-se em contactos para ajudar a (mais uma vez) pôr ordem na casa de todas as vozes dissonantes, deixando o caminho aberto para uma nova direcção constituída por homens da sua confiança, habilitados, por sua vez a limpar o seu nome e a sua herança. José não conseguia compreender como é que, agora, esta gente conseguia ser de tal modo energúmena que mal se conseguisse aguentar no segundo lugar das sondagens. O cenário era grave. A oposição estava perto de ganhar as eleições e ele perto de ser condenado sem qualquer glória.
Era urgente pôr mais jogadores em campo, e ditar novas regras. Ou pensava nalguma solução naquele preciso momento para pôr em marcha de imediato, ou estava sujeito a ver os comunistas passar à frente do seu partido...
«Espera lá... E se isso acontecesse mesmo?»
Uma erecção  esboçou-se atrás das suas calças. «Se os cabrões dos comunas tiverem uma votação recorde, pode ser que consigamos formar governo e esmagar os outros paneleirotes», pensou José. O entusiasmo era tanto que chegou a ter medo de perder o fio à meada, e de se excitar em demasia.
Correu para a secretária e começou a fazer desenhar diversos cenários pós-eleitorais, possibilidades de acordos que tivessem o "ok" dos comunas e dos comunas burgueses, sem ficar dependente deles. Ao fim de quase duas horas, a fazer a futurologia de primeira água, como poucos comentadores conseguiriam, e tecer, com a tinta da caneta, uma intrincada teia de nomes, medidas, datas e condicionantes, não pôde deixar de desabafar consigo mesmo que o país tinha perdido um bom engenheiro, no momento em que ele se dedicou à política.
Lentamente, o cérebro arrefeceu-lhe, e a adrenalina fugiu-lhe do peito; abriu e fechou a mão, rija de passar tanto tempo a escrevinhar. Grande epifania, a que tivera; o partido podia safar-se, se ele conseguisse pôr aquela estratégia em andamento. Mas só lhe interessava o bem estar do partido, quando isso ajudasse ao bem estar dele, e a verdade é que o seu disfarce fora descoberto. Os imbecis a quem dera o poder de mão beijada não iam proteger-lhe as costas depois de se verem em S. Bento, e a ele em Caxias; não, iam ficar nas suas costas, mas prontos para o foderem mal pudessem: o seu nome começava a ser tão incómodo como quando perdera as eleições, e isso afastava aliados. O processo de dimensões bíblicas que seria divulgado dentro de dias contra si, iria fazer corar de vergonha os calhamaços do processo dos pedófilos da Casa Pia, e essa era péssima publicidade para qualquer político. A prisão seria quase inevitável. Depois de perder a fama de preso político injustiçado, a que se poderia agarrar?
Já era quase dia quando, ao divagar sobre o cerseamento das liberdades individuais dos presos, se apercebeu que o voto não era uma delas. "Os presos podiam votar", o pensamento ecoou-lhe na cabeça, qual charada. E ele seria um ex-primeiro-ministro preso, em plena legislatura de maioria encostada à esquerda radical de estalinistas e burgueses efeminados. Sorriu, vitoriosa e desdenhosamente. Desde o início, que a sua estratégia estava certa: roubar até ser caço, partir a louça toda, e ser condenado à prisão.
Preso estaria fora do radar. Depois de preso, não teria mais nada a perder: apenas a pena poderia aumentar ou diminuir. Mas preso poderia continuar a contactar e controlar quem estivesse fora. Para isso tinha de, primeiro: meter no poder quem ele sabia que quem conseguia controlar ou manietar. Segundo: tinha se assegurar que quem governasse tivesse medo de divergir das suas linhas orientadoras. Preso estaria protegido, mas não era suficiente. Tinha de deixar o governo com medo dos próprios presos, o que não era assim tão difícil, visto que os presos votavam. Só tinha de aumentar o número de presos. Drasticamente, e o mais rápido possível.
Até soltou uma gargalhada, como se fosse um vilão do James Bond. Os comunas moderados podiam ser facilmente ludibriados a apoiar um aumento do número de celas, de prisões e das qualidades das mesmas, de modo a que estar preso fosse o mesmo que viver num condomínimo fechado, e ao mesmo tempo apoiar uma caça judicial aos corruptos, aos burlões, aos empresários que fogem do fisco e da Segurança Social; aos polícias e magistrados caberia continuar a perseguir os bandidos comuns. A economia continuaria  rolar, porque as vias de comunicação estariam completamente escancaradas de modo a que quem estivesse preso continuasse a manter activos os seus processos de acumulação riqueza. O único problema seria convencer os comunas a aumentar a pena máxima. O máximo de 25 anos era pequeno, e dificilmente conseguiria que se aceitasse a prisão perpétua em Portugal, à semelhança dos restantes países evoluídos da Europa. Aumentar a pena máxima para 35 ou 40 anos já lhe parecia possível. Era tudo uma questão de capitalizar a fúria da direita contra a sua pessoa, mediante uma proposta do seu próprio partido. Jogando bem as suas cartas, e feitas as contas, José imaginava que fosse possível em 10 anos que a população presa passasse a ser um terço da população activa nacional, da qual ele contava ser o arauto e porta-voz. Um estado dentro do Estado, enclausurado e violento, a que as próprias forças políticas não podiam ficar indiferentes, e que, a pouco e pouco ditariam as suas regras e as suas condições, aumentando de geração em geração.
Nem Marx ou Álvaro Cunhal se atreveriam a projectar tão ousada utopia socialista em Portugal. Um comunismo de presos. A ideia fê-lo rir mais uma vez. A última vez que se rira assim fora quando se lembrara de atribuir classificações honrosas, que ele próprio inventara, às competências adquiridas por adultos ao longo da sua vida. Admirava-o esta sua própria capacidade para camuflar os seus próprio proveitos, nas mais estapafúrdias experiências sociais.
Não havia razão para perder mais tempo. Pegou no telefone e ligou para quem era mais urgente convencer no meio daquela história toda: Jerónimo, o caquético líder dos comunas. "Estou sim? Viva Camarada! Ainda bem que o encontro a pé...."

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Alambique

Adnan levanta a cabeça do seu smart phone de última geração com 3G. À sua volta, os seus familiares e vizinhos estão amontoados uns em cima dos outros, como bonecos de trapos, encharcados pela água do mar. De 3 em três horas, atira um deles da pequena embarcação, com esperança que vá desaguar numa qualquer praia e seja apanhado pelas objectivas dos repórteres europeus.
Volta a olhar para o ecrã mágico do seu dispositivo móvel e a perder-se na nuvem. Está à procura do seu alvo na Guerra Santa. "Hmmm, França, Espanha, que país pequenito é este aqui na ponta? Portugal..."
Um vídeo qualquer sobre pizza com extra queijo e pepperoni chama-lhe a atenção. Nunca provou pizza, muito menos de pepperoni, a sua religião não lhe permite comer carne de porco. Isso e receber assistência da Cruz Vermelha. É bastante problemática, esta religião. Adnan não se importa. É tudo o que conhece: ódio aos infiéis e à bandeira da Suíça — que nojo.
Está a sonhar acordado quando o alarme soa, lembrando-o que tem de lançar mais um cadáver. Perdeu-se a ler artigos e listas e mais listas de tops mundiais dos melhores países, onde Portugal aparece sempre. "Como é possível nunca ter ouvido falar deste país e eles terem o melhor vinho verde, a segunda melhor cidade do mundo para visitar em época baixa, a sétima casa mais rústica feita em pedra e a terceira praia mais limpa?" — pensa, enquanto lança o seu ex-primo de 7 anos borda fora.
Dez anos depois, Adnan é um exemplo de integração. Sabe o hino, come tremoços a ver a selecção. Tem o símbolo da Federação Portuguesa de Futebol tatuado no braço. Já come rojões, e embora as cruzes ainda lhe queimem a pele como o vampiro estrangeiro que é, não deixa de ir ao Feice comentar os assuntos sociais de relevo.